Dia de Portugal em Londres - 2007
| O melhor de Londres é a sua diversidade. Não é só o facto de haver muitos estrangeiros. É a capacidade de transformar
vários espaços da cidade no cantinho de cada país. E a 10 de Junho, no Kennington Park, estávamos em Portugal! |
(Londres Jun.07) Esperavam-se 30 mil pessoas, não faço ideia se estavam ou não. Mas certamente éramos muitos, trajados a rigor e com
um batalhão de crianças.
À volta de um relvado montaram 10 tendas de comes e bebes, cada uma explorada por uma
colectividade local. No centro, um palco por onde foram passando vários artistas.
Nesse palco, o dia começou com uma missa. Não deixa de ser estranho estar numa missa ao ar livre num parque de
Londres, mas ao mesmo é motivo de alegria celebrar a Fé com os meus compatriotas. E foi a minha primeira missa com
cheiro a sardinhas! Veio um bispo de Braga para a ocasião, mas a "estrela" foi o capelão da comunidade portuguesa em
Londres, um padre velhote que gosta muito de cantar e de "dizer coisas". E até tivemos direito a uma versão coreografada
do hit "Põe tua mão na mão do meu Senhor...".
Para matar a fome e as saudades não faltavam opções: frangos, sardinhas, chouriço, entrecosto, salgados e bolos. E
não menos importante, o vinho verde e a cerveja Sagres. Entretanto o sol brilhava no céu azul e a temperatura chegava
aos 25ºC, de maneira que não era difícil distrairmo-nos e por momentos pensarmos que estávamos realmente em Portugal!
No palco, houve lugar para tudo: danças regionais da Madeira, muito fado e música pimba, quase sempre por artistas
locais. Um dos momentos altos foi a actuação da Saltitona, uma rapariga que cantava uma mistura de músicas
conhecidas, dos D'zrt ao Atirei o Pau ao Gato, para o público mais novo.
A única vedeta vinda de Portugal, cabeça de cartaz, era o Fernando Correia Marques, autor de grandes sucessos como o
Burrito e o Carocha do Amor. Infelizmente, quando chegou a vez dele já estavam a bater as sete da tarde, hora prevista
para terminar a festa. Como os ingleses não dão abébias, acabou por só cantar uma música (Quero casar em Portugal, nos
Açores ou na Madeira, quero casar em Portugal, ser feliz a vida inteira...).
E depois de encerrada a festa com o hino nacional, lá voltámos para casa com a alma cheia da mais profunda cultura
lusitana.
- Texto e Fotografias de Tiago Tavares
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