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JORNALISMO DO CIDADÃO

Este é um espaço destinado aos emigrantes residente no Reino Unido, que, ao
relatarem factos e experiências na sua cidade, comunidade e cotidiano, tornam-se repórteres por um momento.
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COMO CONSTRUIR UM TEXTO JORNALÍSTICO?
A construção de um texto jornalístico não dispensa a criatividade de
quem o redige, mas assenta numa técnica própria. Algumas regras que convém respeitar antes da redacção de qualquer
artigo:
- Antes de escrever convém procurar documentação, acumular informações precisas apoiadas em factos;
- Não hesitar em investigar no terreno, em vez de tão-somente procurar informações em livros;
- Preparar um plano;
- Definir a finalidade da comunicação, determinar a importância da informação para o leitor alvo;
- Indicar, numerando, as principais ideias a desenvolver e anotar brevemente a conclusão que pode ser tirada dessas
ideias.
Regras de construção de um texto jornalístico
A estrutura do texto jornalístico
O texto jornalístico inclui um título; um "lead" – que corresponde ao primeiro ou aos dois primeiros parágrafos do
texto – e o corpo do texto, que desenvolve os elementos informativos referidos no "lead". O título e o antetítulo, a
entrada, os subtítulos e a fotografia constituem momentos dessa construção, que deverá ter unidade, coerência e eficácia
informativa.
A técnica do "lead" e da pirâmide invertida
A técnica da pirâmide invertida ajuda a ordenar os vários elementos da notícia por ordem decrescente de importância
ao longo quer do "lead", quer do corpo do texto. Ao contrário das narrativas literárias ou cinematográficas, nos textos
jornalísticos o clímax não se guarda para o fim. Logo no início, o leitor deve ter o essencial da informação.
Esta regra, que serve para ajudar a redigir um "lead", não é, contudo, uma imposição absoluta. As respostas às
perguntas Quando? e Onde? podem, por exemplo, ser excluídas do "lead" quando são muito óbvias, o que sucede quando as
respostas são: actualmente, agora, em Portugal, etc. O que é relevante é que o início do texto estimule o prosseguimento
da leitura.
Normas práticas:
- O "lead" de uma notícia não deve ultrapassar, em princípio, os 300 caracteres, podendo comportar mais do que um
período. Parágrafos ou períodos demasiado longos provocam dispersão e cansaço no leitor.
- Um "lead" deve ser sempre claro, preciso e correcto: não deve começar com uma negativa nem de forma dubitativa,
interrogativa ou condicional. Tão-pouco por um gerúndio, uma conjunção ou expressões gastas do tipo "como se sabe", "registe-se",
"recorde-se", "de acordo", etc.
- O "lead" determina sempre a construção do texto e o título da peça. Por isso, a sua escolha nunca pode ser obra do
acaso. Seja qual for o ângulo que o jornalista privilegie no arranque de um texto, é a partir daí que o leitor deve
captar o sentido global da narrativa.
Titulação
A titulação das peças jornalísticas, em especial numa reportagem, reparte-se por título principal, subtítulo e
intertítulos.
- O título Alguns estudos apontam para o facto de um título ser lido, em média, cinco vezes mais do que o corpo de um artigo.
Portanto, trata-se de um elemento que nunca deve ser descurado na escrita jornalística. Todavia, criar títulos não é
tarefa fácil. Talvez por isso, são poucos os jornalistas que iniciam um artigo pelo título. Na maioria das situações, os
jornalistas optam por escrever a peça e só no final se debruçam sobre o título.
De um modo geral, podemos dizer que o título de qualquer peça jornalística é o seu rosto. É através dele que o leitor
se interessa pelo artigo. Por isso, compete ao título chamar a atenção e passar uma mensagem.
Normas práticas:
- Num mesmo título não devem repetir-se palavras;
- Num título não se usam pontos finais;
- Não se devem utilizar palavras ambíguas;
- As siglas facilitam a redacção de um título, mas dificultam a sua compreensão (podem utilizar-se se forem muito
conhecidas);
- Devem evitar-se interrogações.
O Subtítulo
Este é usado como complemento de informação ao título. Pode precisar a informação que ficou menos clara no título ou
pode, simplesmente, acrescentar algum elemento informativo que o título não pode contar porque não é suposto que os
títulos sejam demasiado longos.
Normas práticas:
- Os títulos e os antetítulos dos textos informativos devem ser sempre inspirados no "lead", o que implica o rigor
deste.
- Em algumas redacções tem-se por norma colocar intertítulos a separar blocos informativos que não devem superar as
25/30 linhas.
- Os títulos e antetítulos não devem ser repetitivos em relação ao "lead", nem "matar" a informação contida nele. É,
no entanto, admissível que o antetítulo e o título sejam complementares entre si, deixando, neste caso, cada um de
constituir uma unidade de sentido por si só.
- Os subtítulos, tal como os títulos, devem ser curtos, não contendo muitas palavras. Devem ser sugestivos, captando o
essencial do trecho do texto que introduzem, sem anular o "suspense" da leitura nem repetir palavras ou ideias
sintetizadas noutros subtítulos, no título e nas legendas da peça.
- Deve sempre evitar-se a repetição de palavras nos títulos e antetítulos.
Ilustrações e Legendas
Normas práticas:
- As fotografias e as legendas, desde que estas se encontrem associadas ao bloco do título, devem ser lidas de forma
complementar com o título, como se fossem peças de um mesmo "puzzle". Numa situação limite, em que o leitor apenas
tivesse tempo para ler esse conjunto de sinais, eles deveriam ser suficientes para lhe fornecer uma informação mínima.
Ou seja, esse conjunto terá que conter os elementos informativos essenciais do texto, numa interacção conjugada.
- As legendas contêm sempre um elemento identificador de pessoas ou situações. Nas fotos maiores, essa identificação é
completada com uma frase curta, de preferência retirada do texto. Nos grandes planos de rostos a legenda limita-se à
identificação. Nos pequenos selos inseridos nos destaques de primeira página ou nas breves, não há legenda.
- Deve-se fazer referência à fonte, no caso de não serem originais.
O Fim do Artigo
Tal como acontece com o “lead”, também o final do texto é fundamental num artigo jornalístico. Na realidade, logo a
seguir ao “lead”, o fim é a parte mais importante de um texto jornalístico. O “lead” tem de ser bom para cativar o
leitor, o fim tem de ser suficientemente interessante para não o desapontar.
Seja qual for o tipo de fim escolhido, é importante que ele esteja de acordo com o resto do texto e que satisfaça o
leitor, dando-lhe a sensação de missão cumprida.
Assinaturas
A assinatura de um texto deve reflectir de forma rigorosa a sua autoria. Se há mais de uma participação para um dado
texto, a ordem de assinatura deve reflectir a contribuição de cada um dos autores. Nos textos escritos em parceria, a
ordem das assinaturas deve ser alfabética, pelo apelido, sempre ao mesmo nível de relevância.
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